Vinhos Provados

Sábado, 18 de Maio de 2013

Herdade do Arrepiado Velho 2010


Ano: 2010

Produtor: Herdade do Arrepiado Velho

Tipo: Tinto

Região: Alentejo

Castas: Touriga Nacional

Preço Aprox.: 8€

Veredicto: Localizada em Sousel, a 40Km de Portalegre, portanto no Alto Alentejo, a Herdade do Arrepiado Velho é uma propriedade com uma área total de cerca de 100 hectares, integrando a Rota de São Mamede - um dos três caminhos da rota dos vinhos do Alentejo. Em 2002 a actual vinha foi plantada de raíz. São 33 hectares com o objectivo de produzir vinhos de qualidade. A enologia está a cargo de António Maçanita. Destaque para a beleza e carácter invulgar e moderno dos rótulos do portfolio da casa. No mínimo, originais!

O Herdade do Arrepiado Velho Tinto 2010 é produzido 100% da casta Touriga Nacional, tendo sido parcialmente envelhecido em barricas de carvalho francês.

De cor violeta, o nariz é bem agradável com notas de frutos pretos, ligeiras nuances florais. Na boca, bom corpo, taninos redondos, frescura de conjunto invulgar para um tinto alentejano, terminando de boa persistência.

Bem conseguido, fresco e com cariz gastronómico, a um preço acertado, versátil qb. Acompanhou muito bem carne maronesa grelhada, bem como a sobremesa à base de queijo de cabra.

Classificação: 16

Sérgio Lopes

Quinta-feira, 16 de Maio de 2013

Aneto Pinot Noir 2010


Ano: 2010

Produtor: Sobredos

Tipo: Tinto

Região: Douro

Castas: Pinot Noir

Preço Aprox.: 18€

Veredicto: Pinot Noir plantado no Douro, a mais de 500 metros de altitude, com 12 meses de estágio em barricas usadas de carvalho francês. É assim o ensaio de Francisco Montenegro, que procura perceber como se comporta no Douro esta casta rainha da Borgonha, capaz de produzir dos espumantes e vinhos mais complexos e reconhecidos mundialmente. E nada melhor do que um enólogo (neste caso também produtor) cuja assinatura é reconhecidamente a elegância e finura que caracterizam todos os seus vinhos, para o fazer.

O vinho foi provado em dois momentos. A prova começou curiosa logo de início pela cor apresentada, quase clarete, mas muito viva. No aroma, fruta fresca silvestre, leve abaunilhado da madeira, especiaria, frescura e elegância. Na boca, confirma a finesse tão característica de Francisco Montenegro, com taninos sedosos, corpo médio e final muito saboroso e requintado. Provado 2 dias depois, ganhou algum corpo adicional e ainda uma maior estabilização de conjunto. Muito bem.

Embora eu seja defensor em primeira instância das nossas castas autóctones, que tão bem se comportam no Douro (e noutras regiões) não posso deixar de saudar este ensaio 100% Pinot Noir, extremamente bem conseguido. Com menos alcool (14º) do que a colheita do ano anterior (15º) e um maior equilíbrio de conjunto (talvez fruto da constante afinação no processo e consistência da vinha) trata-se de um vinho gastronómico mas simultaneamente requintado e por isso versátil. Original e recomendado!


Classificação: 17

Sérgio Lopes

Quarta-feira, 15 de Maio de 2013

Porto Barros, Edição Especial 100º Aniversário

Fundada em 1913, a Barros é uma marca de referência do sector do vinho do Porto, distinguindo-se pela sua história e perfil vincadamente português. Para comemorar o seu 100º aniversário, acaba de lançar uma edição comemorativa muito limitada, que resulta de um blend de vinhos muito velhos, numa retrospetiva histórica sobre os grandes néctares desta prestigiada Casa. 

Para esta edição exclusiva, o enólogo Pedro Sá e a sua equipa selecionaram criteriosamente os melhores vinhos de cada década de existência da casa. Esta combinação de vinhos muito antigos gerou um blend com uma média de idade de 65 anos. Estes vinhos envelheceram ao longo de décadas em pequenos cascos de carvalho de 225 litros e evoluíram, nos armazéns da Barros, em Vila Nova de Gaia, onde a influência do Oceano Atlântico beneficia a sua qualidade, frescura e elegância.

Esta é uma edição muito exclusiva, limitada a 1913 garrafas, número que representa o ano de fundação da Barros, com um P.V.P. recomendado de 260€ por garrafa (750ml).


Sérgio Lopes

Segunda-feira, 13 de Maio de 2013

2.º Festival do Vinho do Douro Superior

É já nos dias 24, 25 e 26 de Maio que Vila Nova de Foz Côa acolhe a 2.ª edição do ‘Festival do Vinho do Douro Superior’, um evento multifacetado que vai decorrer no ExpoCôa - Pavilhão de Exposições e Feiras.  No certame, estarão presentes mais de 60 produtores desta sub-região do Douro, representando 6 concelhos vinícolas (Vila Nova de Foz Côa, Freixo de Espada à Cinta, Torre de Moncorvo, Figueira de Castelo Rodrigo, São João da Pesqueira, Carrazeda de Ansiães e Mêda), somando mais de 200 marcas de vinhos expostas e servidas!

À feira (exposição e prova) de vinhos e sabores da região – onde se vai poder degustar e comprar vinhos, azeites, amêndoas, doces, queijos e enchidos a preços especiais – juntam-se a segunda edição do ‘Concurso de Vinhos do Douro Superior’; um colóquio para profissionais; provas de vinhos e azeite do Douro Superior comentadas por especialistas; e visitas a quintas produtoras de vinho. Integrado também no programa do festival, está agendada uma ação de formação do IVDP para promover o serviço de vinho do Porto – “Saber servir; vender melhor” – destinada a profissionais do canal horeca e agentes turísticos.

O 2.º ‘Festival do Vinho do Douro Superior’ tem entrada gratuita. À disposição dos visitantes, para que possam provar os vinhos em exposição, a organização disponibiliza um copo no valor de € 2,00.

A Câmara Municipal de Vila Nova de Foz Côa é a entidade organizadora do Festival. A produção e direcção deste certame, que este ano conta com o apoio do IVDP, está a cargo da Revista de Vinhos.

Programa do Festival:



Sérgio Lopes

Sexta-feira, 10 de Maio de 2013

Alves de Sousa Vintage 2009


Ano: 2009

Produtor: Domingos Alves de Sousa

Tipo: Porto Vintage

Região: Douro

Castas: Várias

Preço Aprox.: 35€

Veredicto: Domingos Alves de Sousa é sobretudo reconhecido pelo seus excelentes vinhos do Douro, é um facto. Chega o momento de apostar igualmente nos vinhos do Porto, tal como nos informou o enólogo Tiago Alves de Sousa. Parece-me lógico. Este vintage 2009 é pois o primeiro da gama "Alves de Sousa" a que se pretende dar continuidade, juntamente com o natural surgimento dos tawnie com indicação de idade.

Relativamente ao vintage 2009, trata-se de um vinho de cor retinta. No nariz, aroma complexo, mas algo contido, com a natural presença da fruta vermelha e preta bem madura que se sente muito mais na boca. Apresenta uma boa estrutura, terminando longo e apetecível.

Melhor na boca do que no nariz, trata-se de um vintage bem conseguido, embora não se destaque face à concorrência, ao contrário dos vinhos Douro que tanto caracterizam o produtor.

Classificação: 16

Sérgio Lopes

Quarta-feira, 8 de Maio de 2013

Pingo Doce, vinhos anti-crise



Ligamos a televisão e é só austeridade e mais austeridade... Folheamos os jornais ou navegamos na internet e a crise está sempre no topo das notícias. E por isso, decidi partilhar algumas opções, vinhos verdadeiramente anti-crise. São 3 vinhos distintos, sob a chancela da marca Pingo Doce, dois brancos, um do Dão, outro da região dos vinhos verdes, ambos abaixo dos 2€ e ainda um espumante rosé, bairradino, pois claro, abaixo dos 3€. Nice! A cadeia do grupo Jerónimo Martins inteligentemente juntou esforços com alguns dos produtores em larga escala, de cada região, produzindo assim vinhos acessíveis a todas as bolsas. E atenção, tratam-se de vinhos bem feitos e capazes de agradar.

Do Dão, o branco, que ilustra a figura acima, tem enologia de Osvaldo Amado, enólogo da Dão Sul (Cabriz, Santar) e é engarrafado pela empresa em exclusivo para o Pingo Doce. Produzido das castas brancas da região, nomeadamente encruzado, malvasia fina, bical e cerceal branco, trata-se de um vinho onde no nariz predomina um conjunto de notas frutadas (citrinas e tropicais) e florais, típicas da mistura de castas, num conjunto aromático bem agradável. Na boca, a frescura é o mote. Embora o corpo e o final de boca sejam obviamente algo curtos, termina com uma acidez interessante (quiçá um pouco marcante - não nos podendo esquecer que o vinho custa menos que 2€) que lhe confere um carácter gastronómico interessante.

Da Bairrada, um espumante bruto rosé, produzido pelas Caves da Montanha em exclusivo para o Pingo Doce. Embora de Rosé tenha pouco, aromaticamente falando (falta fruta), o conjunto funciona globalmente bem, graças a uma bolha fina e uma acidez correcta, traduzindo-se num vinho borbulhoso bem conseguido, gastronómico qb.

Finalmente resgato aqui o vinho verde, 100% Loureiro, produzido pela Quinta da Lixa em exclusivo para o Pingo Doce. Apesar de existir igualmente um branco blend eu prefiro este Loureiro. Apresenta alguma agulha típica dos "verdes" ao primeiro vislumbre. Fresco, floral, citrino e suave. Simples, mas bastante bem conseguido, terminando curto mas agradável.

Todos os vinhos têm a marca Pingo Doce e podem ser opções viáveis como verdadeiras bombas anti-crise!



Sérgio Lopes

Segunda-feira, 6 de Maio de 2013

1 branco e 1 rosé, para o Verão.

Periquita Branco 2012
Monte da Ravasqueira Rosé 2012

Está a chegar o verão... timidamente é certo, uma vez que no momento em que escrevo este texto, está a chover, embora já se sinta uma temperatura bem mais primaveril. Mas, anntecipando os dias de calor que aí vêm e o aumento substancial no consumo de vinhos brancos e também de rosés, venho vos falar de dois exemplares que serão escolhas acertadas para a estação quente (assim se espera). Dois vinhos - um branco e um rosé- que se encontram com facilidade nas grandes superfícies, ambos com uma relação qualidade-preço bastante acertada.

O branco. Periquita, emblemática marca da José Maria da Fonseca (Península de Setúbal), aqui na versão branca, produzido das castas 53% de Verdelho, 25% de Viosinho, 20% de Viognier e apenas 2%, Moscatel de Setúbal. Aqui reside a grande diferença relativamente ao lote do ano passado, onde o Moscatel tinha um peso de cerca de 30% no lote. O resultado, relativamente ao 2011 é por isso um pouco diferente, notando-se uma componente aromática menos acentuada na versão de 2012. No geral, temos um vinho, equilibrado, com notas limonadas, algumas flores e frutas de caroço, talvez com maior leveza e um pouco mais fino que o 2011. Perde-se a exuberância aromática, mas acresce uma maior leveza de conjunto, num perfil mais versátil. Simples e bem feito, capaz de dar prazer. PVP 3,99€ 

Classificação: 15


O Rosé. Monte da Ravasqueira, do produtor alentejano com o mesmo nome. Feito de 55% Touriga Nacional e 45% Syrah, foi galardoado muito recentemente com a medalha de prata no concurso internacional de Bordéus. Trata-se de um Rosé muito fresco e apelativo, com fruta fresca mas também algumas nuances de rebuçado. Na boca, confirma o registo de frescura e fruta fresca apresentados no nariz. Com bom volume de boca, termina seco e bem agradável. PVP 5,49€ 

Classificação: 15


Nota: Amostras gentilmente cedidas pelos produtores, ao quais agradecemos.


Sérgio Lopes